sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Breves classicos 2

Continuando o quadro Breves Classicos, irei falar de mais 5 classicos que eu li que sao:

Alice no pais das maravilhas: como todos devem saber a historia vai falar da propria alice, e é mais uma historia de uma crianca que entra num mundo imaginario, como Narnia, mas que pra ela tudo é real, inclusive os perigos que podem existir nesse mundo da imaginacao. Bom devem saber tbm q dentro desse mundo ela passa por varias aventuras e cada vez percebe mais coisas insquisitas, um livro muito bom, leitura super rapida, historia incrivel.

As aventuras de tom sawyer:

Breves classicos

Como prometido hoje vou falar de 5 classicos que eu li, da coleção (---,), que são:

(imagem do livro e texto)

A Dama das Camélias: esse foi o primeiro que eu li, da coleção, e eu não achei la essas coisas por que, digamos que tentaram deixar o livro pesado e ao mesmo tempo romantico, mas não foi o que aconteceu. A historia fala do cara que se apaixonou por... uma prostita, sim, uma prostituta, so que naquela epoca nåo se usavam precisamente essa palavra para descrever as mulheres que saiam com os homens ricos por causa do dinheiro, e esse cara que se apaixonou por ela não era rico, então eles nao podiam ficar juntos por que ela tambem nao era rica e precisava ganhar dinheiro saindo com os homens ricos, e assim o livro vai enrolando ate a ultima pagina que, sinceramente, nao salvou o livro, na verdade so fez minha opiniao piorar em relacao ao livro.

A Dama das espadas: Pra falar a verdade foi mais ou menos, por que, o livro meio que ficou em cima do muro entre a realidade e o sobrenatural, se é que vc me entende, por que o personagem principal descobre que uma mulher sabe um truque infalivel para ganhar no jogo de cartaz, so que apenas ela sabe, entao ele fingi se apaixonar pela filha dela para tentar descobrir o segredo e em fim, o final do livro realmente deu vontade de rir do personagem principal, e realmente a trama do livro foi muito bem pensada, por que no meio da ambisao ha tbm um certo arrependimento, leia que sabera o que eu quero dizer.

A ilha do tesouro: Eu realmente gosto muito de livros de aventura, e esse foi exelente, tudo começa quando um misterioso homem que se ospedar na casa da mae do personagem principal, e ele é um tanto estranho, depois descobrem que ele era um pirata e que havia piratas atras dele para saber onde ficava a ilha do tesouro, e entao o personagem principal sai em busca do tesouro com alguns amigos e dai pra frentr o livro fica muito impressionante, mas nao é muito diferente daquelas varias e varias historias de piratas em busca do tesouro.

A priquena princesa: tudo cmc quando o pai da personagem principal resolve botar ela num colegio de meninas, para ter mais tempo para explorar minas de diamante, e a menina é do tipo que ganha tudo que pedi, mas, isso que me chamou a atencao, ela nao e mimada, na verdade e uma menina que esta sempre querendo ajudar as colegas do colegio, mas ha tbm aquele grupinho de meninad ricas que nao gostam do geito dela. E um certo dia recebe uma noticia de que seu pai morreu, e entao a menina que tinha tudo, passa a ter nada, por que o pai dela n deixou nenhuma eranca para ela, entao ela tem que comecar a trabalhar para a severa dona do colegio e morando no porao, no fim da historia eu realmente achei mt emocionante. Porem é claro que o livro fugiu, e muito, da realidade.

A volta do parafuso: sim, ate agr n entendi direito o final, mas a historia em si é bem misteriosa e com muito suspense, sim, da um pouco de medo. A historia basicamente fala de uma mulher que aceita ser baba de 2 criancas que moram com o tio, so que o tio viaja e deixa as criancas nos cuidados da baba e diz para ela para resolver qualquer problema e nao encomodar ele, e entao ela passa a cuidar das criancas e percebe que elas tem um comportamento muito estranho para criancas daquela idade, é quando ela descobre que elas estao sendo perseguida por espiritos, e assim cmc td o suspense.

sábado, 5 de outubro de 2013

Diversos #6: Texto Viagem Longa, Destino Incerto

Hoje estou postando um texto, que foi tirado do livro Estórias de Quem Gosta de Ensinar do autor Rubem Alves, que é:



Esse é o mês em que sofro mais por causa de vocês, moços. Tenho dó. Ainda nem deixaram de ser adolescentes, e já são obrigados a comprar passagens para um destino desconhecido, passagens só de ida, as de volta são difíceis, raras, há uma longa lista de espera. Alguns me contestam: afirmam saber muito bem o lugar para onde estão indo. Assim são os adolescentes: sempre têm os bolsos cheios de certezas. Só muito tarde descobrem que certezas valem menos que um tostão.

Seria muito mais racional e menos doloroso que vocês fossem obrigados agora a escolher a mulher ou o marido. Hoje casamento é destino para o qual só se vende passagem de ida e volta. É muito fácil voltar ao ponto de partida e recomeçar: basta que os sentimentos e as idéias tenham mudado.

Mas a viagem para a qual vocês estão comprando passagens dura cinco anos, pelo menos. E se depois de chegar lá vocês não gostarem? Nada garante...Vocês nunca estiveram lá. E se quiserem voltar? Não é como no casamento. É complicado. Leva pelo menos outros cinco anos para chegar a um outro lugar, com esse bilhete que se chama vestibular e essa ferrovia que se chama universidade. E é duro voltar atrás, começar tudo de novo. Muitos não têm coragem para isso, e passam a vida inteira num lugar que odeiam, sonhando com um outro.

Em Minas, onde nasci, se diz que para se conhecer uma pessoa é preciso comer um saco de sal com ela. Os apaixonados desacreditam. Quem é acometido da febre da paixão desaprende a astúcia do pensamento, fica abobalhado, e passa a repetir as asneiras que os apaixonados têm repetido pelos séculos afora: "Ah! mãe, ele é diferente..." "Eu sei que o meu amor por ela é eterno. Sem ela eu morro..." E assim se casam, sem a paciência de comer um saco de sal. Se tivessem paciência descobririam a verdade de um outro ditado: "Por fora bela viola; por dentro pão bolorento..."

Coisa muito parecida acontece com a profissão: a gente se apaixona pela bela viola, e só tarde demais, no meio do saco de sal, se dá conta do pão bolorento.

O Pato Donald arranjou um emprego de porteiro, num edifício de ricos. Sentiu-se a pessoa mais importante do mundo e estufou o peito por causa do uniforme que lhe deram, cheio de botões brilhantes, fios dourados e dragonas...

Acontece assim também na escolha das profissões: cada uma delas tem seus uniformes multicoloridos, seus botões brilhantes, fios dourados e dragonas. Veja, por exemplo, o fascínio do uniforme do médico. Por razões que Freud explica qualquer mãe e qualquer pai desejam ter um filho médico. Lembram-se da "Sociedade dos Poetas Mortos"? O pai do jovem ator queria, por tudo nesse mundo, que o filho fosse médico. E ele não está sozinho. O médico é uma transformação poética do herói Clint Eastwood: o pistoleiro solitário, apenas com sua coragem e o seu revólver, entra no lugar da morte, para travar batalha com ela. Como São Jorge. O médico, em suas vestes sacerdotais verdes, apenas os olhos se mostrando atrás da máscara, a mão segurando a arma, o bisturi, o sangue escorrendo do corpo do inocente, em luta solitária contra a morte. Poderá haver imagem mais bela de um herói?

Todas as profissões têm seus uniformes, suas belas imagens, sua estética. Por isso nos apaixonamos e compramos o bilhete de ida... Mas a profissão não é isso. Por fora bela viola, por dentro pão bolorento...

Uma amiga me contou, feliz, que uma parente querida havia passado no vestibular de engenharia. "Que engenharia?", perguntei. "Civil", ela respondeu. "Por que esta escolha?" — insisti. "É que ela gosta muito de matemática". Pensei então na bela imagem do engenheiro — régua de cálculo, compasso e prumo nas mãos, em busca do ponto de apoio onde a alavanca levantaria o mundo! "Se ela tanto ama a matemática talvez tivesse feito melhor escolha estudando matemática".

Engenheiro, hoje, mexe pouco com matemática. Tudo já está definido em programas de computador. O dia a dia da maioria dos engenheiros é tomar conta de peão em canteiro de obra..."

Isso vale para todas as profissões. É preciso perguntar: "Como será o meu dia a dia, enquanto como o saco de sal que não se acaba nunca?"

Mas há outros destinos, outros trens. Não é verdade que o único caminho bom seja o caminho universitário. Acho que poucos jovens sequer consideram tal possibilidade. É que eles se comportam como bando de maritacas: onde vai uma vão todas. Não podem suportar a idéia de ver o "bando" partindo, enquanto ele não embarca, e fica sozinho na plataforma da estação...

Deixo aqui, como possibilidade não pensada, este poema de Walt Whitman, o poeta da "Sociedade dos Poetas Mortos":

"Em nome de vocês...
Que ao homem comum ensinem
a glória da rotina e das tarefas
de cada dia e de todos os dias;
que exaltem em canções
o quanto a química e o exercício
da vida não são desprezíveis nunca,
e o trabalho braçal de um e de todos
— arar, capinar, cavar,
plantar e enramar a árvore,
as frutinhas, os legumes, as flores:
que em tudo isso possa o homem ver
que está fazendo alguma coisa de verdade,
e também toda mulher
usar a serra e o martelo
ao comprido ou de través,
cultivar vocações para a carpintaria,
a alvenaria, a pintura,
trabalhar de alfaiate, costureira,
ama, hoteleiro, carregador,
inventar coisas, coisas engenhosas,
ajudar a lavar, cozinhar, arrumar,
e não considerar desgraça alguma
dar uma mão a si próprio."

Desejo a vocês uma boa viagem. Lembrem-se do dito do João: "A coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia..." Se, no meio da viagem, sentirem enjôo ou não gostarem dos cenários, puxem a alavanca de emergência e caiam fora. Se, depois de chegar lá, ouvirem falar de um destino mais alegre, ponham a mochila nas costas, e procurem um outro destino.Carpe Diem!

sábado, 3 de agosto de 2013

Diversos #5: Texto "Eu queria ter e ser"

Hoje eu vou recomendar um texto que eu li em um livro de português, da escola, na 9° serie que é:



Eu queria ter tipo uma biblioteca imensa onde eu pudesse ler todos os livros até cansar.
Eu queria ter uma vida menos corrida.
Eu queria que o tempo não existisse
Eu queria ter uma vida menos confusa
Eu queria acordar vendo uma cachoeira todo dia,
E queria poder tomar banho nela quando quisesse.
Eu queria poder parar de procurar o amor.
Eu queria poder dormir abraçadinha com alguém.
Eu queria poder morar dentro daquela música de Chico buarque
Eu queria poder abrir a janela e olhar montanhas forradas de verde.
Eu queria poder dizer que sou feliz
Eu queria ter tipo o poder de convencer que as pequenas coisas são as mais gostosas.
Eu queria ser mais compreensiva
Eu queria ter AmIgOs verdadeiros e confiáveis.
Eu queria que pessoas como o Renato e o Cazuza tivessem tido o que tanto cantavam, o AMOR
Eu queria ter conhecido Raul Seixas.
Eu queria estar escrevendo o que eu queria ter um dia
Eu queria ter nascido num cenário de Star Wars.
Eu queria ter uma máquina do tempo pra saber o que acontecerá no futuro pra poupar tanto sofrimento.
Eu queria ser a moça daquele filme A casa do lago
Eu queria nem saber o que é dinheiro
Eu queria saber cantar
Eu queria dar a volta no mundo inteiro
Eu queria ser escritora e encantar as pessoas com o que eu escrevesse
Eu queria saber dizer coisas mais agradáveis
Eu queria um dia poder voar como uma borboleta
Eu queria ser uma pessoa que tipo deixou algo para alguém
Eu queria ser uma garota divertida onde as pessoas sempre a querem por perto
Eu queria não sentir dores tão fortes na alma
Eu queria ser só alguém num mundo legal
Eu acho que ainda queria ser aquela menina que não via as coisas como elas eram
Eu acho que ainda queria ter a esperança boba de achar que poderia fazer a diferença nessa bagunça de mundo

Eu acho que ainda vou tentar realizar pelo menos metade de tudo isso.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Recomendações de livros #6: O Morro dos Ventos Uivantes

Hoje eu vou falar de um livro lançado em 1827 pela a Emily Bronte que é: 



A primeira coisa que você tem que saber é que isso é um livro que se forma a historia em cima de uma base com algumas partes da historia. O Morro dos Ventos Uivantes conta a historia de Catherine e Heathcliff  a historia é contada pela Sr.Dean ( também chamada de Nelly ou Ellen ). De principio quem aparece é o Sr. Lockwood e você fica sabendo na verdade o que ele quer apenas no final do livro.


A historia basicamente fala do romance de Catherine e Heathchiff, mas Chaterine era uma menina que não queria ter um relacionamento serio com um homem pobre por um certo motivo que você vera no livro, e então dai começa a historia.
Emily Bronte

Nas primeiras paginas já fala do Sr. Lockwood falando com o Heathchiff, e então ele entra na casa do Heathchiff e digamos que não foi muito bem recepcionado, e então em um certo momento da historia ele pedi pra Sr.Dean contar a historia dessa família para ele. Nessa parte é muito interessante por que você só saberá onde eles dois estão no final do livro, e você saberá quem é a Sr.Dean no desenrolar da historia.

Eu não quero falar muito do livro por que cada parte do livro é perfeita, então por hoje é só isso!



Você pode baixar uma edição da Coleção Aventuras Grandiosas de 32 paginas CLICANDO AQUI
Você pode comprar esse edição, que esta na imagem acima, na estante virtual por 15 reais no máximo, é só procurar.


Espero que tenham gostado da recomendação, até a próxima.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Diversos #4: Texto " As formigas " da Lygia Fagundes Telles

Hoje eu vou mostrar um texto da Lygia Fagundes Telles que é:





Quando minha prima e eu descemos do táxi já era quase noite. Ficamos imóveis diante do velho sobrado de janelas ovaladas, iguais a dois olhos tristes, um deles vazado por uma pedrada. Descansei a mala no chão e apertei o braço da prima.
- É sinistro.
Ela me impeliu na direção da porta.  Tínhamos outra escolha? Nenhuma pensão nas redondezas oferecia um preço melhor a duas pobres estudantes, com liberdade de usar o fogareiro no quarto, a dona nos avisara por telefone que podíamos fazer refeições ligeiras com a condição de não provocar incêndio. Subimos a escada velhíssima, cheirando a creolina.
- Pelo menos não vi sinal de barata – disse minha prima.
A dona era uma velha balofa, de peruca mais negra do que a asa da graúna. Vestia um desbotado pijama de seda japonesa e tinha as unhas aduncas recobertas por uma crosta de esmalte vermelho-escuro descascado nas pontas encardidas. Acendeu um charutinho.
- É você que estuda medicina? – perguntou soprando a fumaça na minha
direção.
- Estudo direito. Medicina é ela.
A mulher nos examinou com indiferença. Devia estar pensando em outra coisa quando soltou uma baforada tão densa que precisei desviar a cara. A saleta era escura, atulhada de móveis velhos, desparelhados. No sofá de palhinha furada no assento, duas almofadas que pareciam ter sido feitas com os restos de um antigo vestido, os bordados salpicados de vidrilho.
- Vou mostrar o quarto, fica no sótão  – disse ela em meio a um acesso de tosse. Fez um sinal para que a seguíssemos.
Lygia Fagundes Telles
- O inquilino antes de vocês também estudava medicina, tinha um caixotinho de ossos que esqueceu aqui, estava sempre mexendo neles.
Minha prima voltou-se: – Um caixote de ossos?
A mulher não respondeu, concentrada no esforço de subir a estreita escada de caracol que ia dar no quarto. Acendeu a luz. O quarto não podia ser menor, com o teto em declive tão acentuado que nesse trecho teríamos que entrar de gatinhas. Duas camas, dois armários e uma cadeira de palhinha pintada de dourado. No ângulo onde o teto quase se encontrava com o assoa(ho, estava um caixotinho coberto com um pedaço de plástico. Minha prima largou a mala e pondo-se de joelhos puxou o caixotinho pela alça de corda. Levantou o plástico. Parecia fascinada.
- Mas que ossos tão miudinhos! São de criança? – Ele disse que eram de adulto. De um anão.
- De um anão? É mesmo, a gente vê que já estão formados… Mas que maravilha, é raro à beça esqueleto de anão. E tão limpo, olha aí admirou-se ela. Trouxe na ponta dos dedos um pequeno crânio de uma brancura de cal. – Tão perfeito, todos os dentinhos!
- Eu ia jogar tudo no lixo, mas se você se interessa pode ficar com ele. O banheiro é aqui ao lado, só vocês é que vão usar, tenho o meu lá embaixo. Banho quente, extra. Telefone, também. Café das sete às nove, deixo a mesa posta na cozinha com a garrafa térmica, fechem bem a garrafa – recomendou coçando a cabeça. A peruca se deslocou ligeiramente. Soltou uma baforada final: – Não deixem a porta aberta senão meu gato foge.
Ficamos nos olhando e rindo enquanto ouvíamos o barulho dos seus chinelos de salto na escada. E a tosse encatarrada. Esvaziei a mala, dependurei a blusa amarrotada num cabide que enfiei num vão da veneziana. prendi na parede, com durex, uma gravura de Grassmann e sentei meu urso de pelúcia em cima do travesseiro. Fiquei vendo minha prima subir na cadeira, desatarraxar a lâmpada fraquíssima que pendia de um fio solitário no meio do teto e no lugar atarraxar uma lâmpada de duzentas velas que tirou da sacola. C quarto ficou mais alegre. Em compensação, agora a gente podia ver que a roupa de cama não era tão alva assim, alva era a pequena tíbia que ela tirou de dentro do caixotinho. Examinou-a. Tirou uma vértebra e olhou pelo buraco tão reduzido como o aro de um anel. Guardou-as com a delicadeza com que se amontoam ovos numa caixa.
- Um anão. Raríssimo, entende? E acho que não falta nenhum ossinho, vou trazer as ligaduras, quero ver se no fim da semana começo a montar ele.
Abrimos uma lata de sardinha que comemos com pão, minha prima tinha sempre alguma lata escondida, costumava estudar até a madrugada e depois fazia sua ceia. Quando acabou o pão, abriu um pacote de bolacha Maria.
- De onde vem esse cheiro? – perguntei farejando. Fui até o caixotinho, voltei, cheirei o assoalho.
- Você não está sentindo um cheiro meio ardido?
- É de bolor. A casa inteira cheira assim – ela disse. E puxou o caixotinho para debaixo da cama.
No sonho, um anão louro de colete xadrez e cabelo repartido no meio entrou no quarto fumando charuto. Sentou-se na cama da minha prima, cruzou as perninhas e ali ficou muito sério, vendo-a dormir. Eu quis gritar, tem um anão no quarto!, mas acordei antes. A luz estava acesa. Ajoelhada no chão, ainda vestida, minha prima olhava fixamente algum ponto do assoalho.
- Que é que você está fazendo aí? – perguntei.
- Essas formigas. Apareceram de repente, já enturmadas. Tão decididas, está vendo?
Levantei e dei com as formigas pequenas e ruivas que entravam em trilha espessa pela fresta debaixo da porta, atravessavam o quarto, subiam pela parede do caixotinho de ossos e desembocavam lá dentro, disciplinadas como um exército em marcha exemplar.
- São milhares, nunca vi tanta formiga assim. E não tem trilha de volta, só de ida – estranhei.
- Só de ida.
Contei-lhe meu pesadelo com o anão sentado em sua cama.
- Está debaixo dela – disse minha prima e puxou para fora o caixotinho.
Levantou o plástico.
- Preto de formiga! Me dá o vidro de álcool.
- Deve ter sobrado alguma coisa aí nesses ossos e elas descobriram, formiga descobre tudo. Se eu fosse você, levava isso lá pra fora.
- Mas os ossos estão completamente limpos, eu já disse. Não ficou nem um fiapo de cartilagem, limpíssimos. Queria saber o que essas bandidas vêm fuçar aqui.
Respingou fartamente o álcool em todo o caixote. Em seguida, calçou os sapatos e, como uma equilibrista andando no fio de arame, foi pisando firme, um pé diante do outro na trilha de formigas. Foi e voltou duas vezes. Apagou o cigarro. Puxou a cadeira. E ficou olhando dentro do caixotinho.
- Esquisito. Muito esquisito. – O quê?
- Me lembro que botei o crânio em cima da pilha, me lembro que até calcei ele com as omoplatas para não rolar. E agora ele está aí no chão do caixote, com uma omoplata de cada lado. Por acaso você mexeu aqui?
- Deus me livre, tenho nojo de osso! Ainda mais de anão.
Ela cobriu o caixotinho com o plástico, empurrou-o com o pé e levou o fogareiro para a mesa, era a hora do seu chá. No chão, a trilha de formigas mortas era agora uma fita escura que encolheu. Uma formiguinha que escapou da matança passou perto do meu pé, já ia esmagá-la quando vi que levava as mãos à cabeça, como uma pessoa desesperada. Deixei-a sumir numa fresta do assoalho.
Voltei a sonhar aflitivamente, mas dessa vez foi o antigo pesadelo com os exames, o professor fazendo uma pergunta atrás da outra e eu muda diante do único ponto que não tinha, estudado. As seis horas o despertador disparou veementemente. Travei a campanhia. Minha prima dormia com a cabeça coberta. No banheiro, olhei com atenção para as paredes, para o chão de cimento, à procura delas. Não vi nenhuma. Voltei pisando na ponta dos pés e então entreabri as folhas da veneziana. O cheiro suspeito da noite tinha desaparecido. Olhei para o chão: desaparecera também a trilha do exército massacrado. Espiei debaixo da cama e não vi o menor movimento de formigas no caixotinho coberto.
Quando cheguei por volta das sete da noite, minha prima já estava no quarto. Achei-a tão abatida que carreguei no sal da omelete, tinha a pressão baixa. Comemos num silêncio voraz. Então me lembrei.
- E as formigas?
- Até agora, nenhuma.
- Você varreu as mortas? Ela ficou me olhando.
- Não varri nada, estava exausta. Não foi você que varreu?
- Eu?! Quando acordei, não tinha nem sinal de formiga nesse chão, estava certa que antes de deitar você juntou tudo… Mas, então, quem?!
Ela apertou os olhos estrábicos, ficava estrábica quando se preocupava.
- Muito esquisito mesmo. Esquisitíssimo.
Fui buscar o tablete de chocolate e perto da porta senti de novo o cheiro, mas seria bolor?Não me parecia um cheiro assim inocente, quis chamar a atenção da minha prima para esse aspecto, mas ela estava tão deprimida que achei melhor ficar quieta. Espargi água-de-colônia Flor de Maçã por todo o quarto (e se ele cheirasse como um pomar?) e fui deitar cedo. Tive o segundo tipo de sonho, que competia nas repetições com o tal sonho da prova oral, nele eu marcava encontro com dois namora dos ao mesmo tempo. E no mesmo lugar. Chegava o primeiro e minha aflição era levá-lo embora dali antes que chegasse o segundo. O segundo, desta vez, era o anão. Quando só restou o oco de silêncio e sombra, a voz da minha prima me fisgou e me trouxe para a superfície. Abri os olhos com esforço. Ela estava sentada na beira da minha cama, de pijama e completamente estrábica.
- Elas voltaram.
- Quem?
- As formigas. Só atacam de noite, antes da madrugada. Estão todas aí de novo. A trilha da véspera, intensa, fechada, seguia o antigo percurso da porta até o caixotinho de ossos por onde subia na mesma formação até desformigar lá dentro. Sem caminho de volta.
- E os ossos?
Ela se enrolou no cobertor, estava tremendo.
- Aí é que está o mistério. Aconteceu uma coisa, não entendo mais nada!
Acordei pra fazer pipi, devia ser umas três horas. Na volta, senti que no quarto tinha algo mais, está me entendendo? Olhei pro chão e vi a fila dura de formigas, você se lembra? Não tinha nenhuma quando chegamos. Fui ver o caixotinho, todas se trançando lá dentro, lógico, mas não foi isso o que quase me fez cair pra trás, tem uma coisa mais grave: é que os ossos estão mesmo mudando de posição, eu já desconfiava mas agora estou certa, pouco a pouco eles estão… Estão se organizando.
- Como, se organizando?
Ela ficou pensativa. Comecei a tremer de frio, peguei uma ponta do seu cobertor. Cobri meu urso com o lençol.
- Você lembra, o crânio entre as omoplatas, não deixei ele assim. Agora é a coluna vertebral quejá está quase formada, uma vértebra atrás da outra, cada ossinho tomando o seu lugar, alguém do ramo está montando o esqueleto, mais um pouco e… Venha ver!
- Credo, não quero ver nada. Estão colando o anão, é isso?
Ficamos olhando a trilha rapidíssima, tão apertada que nela não caberia sequer um grão de poeira. Pulei-a com o maior cuidado quando fui esquentar o chá. Uma formiguinha desgarrada (a mesma daquela noite?) sacudia a cabeça entre as mãos. Comecei a rir e tanto que se o chão não estivesse ocupado, rolaria por ali de tanto rir. Dormimos juntas na minha cama. Ela dormia ainda quando saí para a primeira aula. No chão, nem sombra de formiga, mortas e vivas desapareciam com a luz do dia.
Voltei tarde essa noite, um colega tinha se casado e teve festa. Vim animada, com vontade de cantar, passei da conta. Só na escada é que me lembrei: o anão. Minha prima arrastara a mesa para a porta e estudava com o bule fumegando no fogareiro.
- Hoje não vou dormir, quero ficar de vigia – ela avisou. O assoalho ainda estava limpo. Me abracei ao urso.
- Estou com medo.
Ela foi buscar uma pílula para atenuar minha ressaca, me fez engolir a pílula com um gole de chá e ajudou a me despir.
- Fico vigiando, pode dormir sossegada. Por enquanto não apareceu nenhuma, não está na hora delas, é daqui a pouco que começa. Examinei com a lupa debaixo da porta, sabe que não consigo descobrir de onde brotam?
Tombei na cama, acho que nem respondi. No topo da escada o anão me agarrou pelos pulsos e rodopiou comigo até o quarto, Acorda, acorda! Demorei para reconhecer minha prima que me segurava pelos cotovelos. Estava lívida. E vesga.
- Voltaram – ela disse.
Apertei entre as mãos a cabeça dolorida.
- Estão aí? – Ela falava num tom miúdo, como se uma formiguinha falasse com sua voz.
- Acabei dormindo em cima da mesa, estava exausta. Quando acordei, a trilha já estava em plena movimentação. Então fui ver o caixotinho, aconteceu o que eu esperava…
- O que foi? Fala depressa, o que foi?
Ela firmou o olhar oblíquo no caixotinho debaixo da cama.
- Estão mesmo montando ele. E rapidamente, entende? O esqueleto já está inteiro, só falta o fêmur. E os ossinhos da mão esquerda, fazem isso num instante. Vamos embora daqui.
- Você está falando sério?
- Vamos embora, já arrumei as malas.
A mesa estava limpa e vazios os armários escancarados.
- Mas sair assim, de madrugada? Podemos sair assim?
- Imediatamente, melhor não esperar que a bruxa acorde. Vamos, levanta!
- E para onde a gente vai?
- Não interessa, depois a gente vê. Vamos, vista isto, temos que sair antes que o anão fique pronto.
Olhei de longe a trilha: nunca elas me pareceram tão rápidas. Calcei os sapatos, descolei a gravura da parede, enfiei o urso no bolso da japona e fomos arrastando as malas pelas escadas, mais intenso o cheiro que vinha do quarto, deixamos a porta aberta. Foi o gato que miou comprido ou foi um grito?
No céu, as últimas estrelas já empalideciam. Quando encarei a casa, só a janela vazada nos via, o outro olho era penumbra.

domingo, 9 de junho de 2013

Diversos #3: Coleção Aventuras Grandiosas

Hoje vou falar de uma coleção de livros que é:



Esses dias eu estava vendo alguns clássicos em PDF e achei uma coleção de livros chamada de "Coleção Aventuras Grandiosas", que tem muitos clássicos em e-book ( de graça ), não sei se são todos os clássicos, mas são 50 adaptações de clássicos da literatura para crianças. 


E cada um tem no mais ou menos 30 páginas.  Então é coisa de ler cada livro em alguns minutos.
Então uma boa ideia seria ler esse clássico de 30 paginas, então se você gostar,  você procura o livro original ( que deve ter muito mais paginas, e com a historia mais detalhada. Por exemplo eu fui ler um clássico chamado:  A Dama das Camélias, e foram 30 paginas de pura enrolação e só no final , tem algo que realmente foi a salvação do livro! Moral da historia, se eu ti esse comprado o livro original, desistiria de ler o livro). Então baixem e leiam, é uma forma mais rápida de conhecer os clássicos!


E a partir de hoje  vou fazer um quadro no blog para falar de cada clássico que eu li dessa coleção, cada post vou falar de 5 clássicos, como eles são curtos, então é melhor fazer de 5 mesmo e o quadro vai se chamar: "Breves Clássicos".


Para baixar todos os 50 clássicos é em formato PDF que vem dentro da pasta RAR, CLIQUE AQUI.

Espero que tenham gostado da postagem, até a próxima.